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Festas Religiosas Populares
Edição e Pesquisa de Lenise Resende

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Festas Natalinas ou Jesuínas


São as festas religiosas que ocorrem entre o Natal e o Dia de Reis. A partir da metade do mês de dezembro, inicia-se no Brasil o chamado ciclo das festas natalinas. São várias manifestações populares – cujo ponto alto é o Natal – em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo. A Folia de Reis, que tem início no dia 24 de dezembro, à meia-noite, termina no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, marcando o fim do ciclo natalino, principalmente no Norte do país.

• Auto - Tipo de representação teatral, gênero dramático originário da Idade Média (período histórico que começa no século V até a metade do século XV). Os autos ibéricos da Idade Média eram montados nas igrejas. É uma encenação popular em forma teatral, com bailados e cantos, tratando assuntos religiosos ou profanos. Aparece nos três grandes ciclos de festas: carnavalesco, junino e natalino. No ciclo natalino, em geral, é representado, nos Pastoris, Marujadas e Bumba-meu-boi.

• Auto de Natal - Representação simbólica do nascimento de Jesus, no estilo dos autos ibéricos da Idade Média. A encenação mais conhecida é a dos Arcos da Lapa, RJ.

• Auto dos Quilombos - Encenação dramática feita em diferentes datas religiosas, freqüentemente no Natal, em estados do Nordeste. Com danças e cânticos, procura-se reconstituir os quilombos, núcleos povoados por escravos fugitivos no século XVII. São representadas duas guerrilhas: uma de índios, outra de negros aquilombados. Os negros, vencidos, são levados em folia pelas ruas, onde são vendidos ou trocados por balas e doces.

• Auto das Pastorinhas - O mesmo que Pastoril. O tema desse auto de Natal, encenado principalmente no Nordeste, e originário da Europa medieval, é o aviso do anjo aos pastores sobre o nascimento do Menino Jesus. Os participantes do folguedo percorrem as ruas da cidade cantando, dançando e, sempre que param, fazem a encenação. Suas personagens principais são as pastoras, geralmente meninas e adolescentes divididas em 2 cordões, o azul e o encarnado: o azul representa o manto de Nossa Senhora e o encarnado representa o manto de Jesus. Outros personagens freqüentes do folguedo são a estrela, os anjos, os reis magos e pequenos animais, como a borboleta. As pastoras tocam pandeiros enfeitados de fitas, acompanhadas por uma pequena orquestra com instrumentos, como surdo, caixa, violão, sanfona, cavaquinho, clarineta e trombone. (Fonte: Almanaque Abril 2001)

• Baile pastoril - Variação do Auto das Pastorinhas, na Bahia. Costume de origem afro-portuguesa, os bailes pastoris se realizam depois da Missa do Galo e compreendem as pastoras, o terno e o rancho. São grupos caracteristicamente vestidos que desfilam pelas ruas e visitam casas, onde cantam e dançam em homenagem ao nascimento de Jesus.

• Missa do Galo - É a missa celebrada na noite do dia 24 de dezembro. Sua denominação provém de uma fábula que afirma ter sido o galo o primeiro a presenciar o nascimento de Jesus, ficando encarregado de anunciá-lo ao mundo. Até o começo do século XX era costume que, dentro da igreja, a meia-noite fosse anunciada por um canto de galo, real ou simulado.

• Pastoril - Auto apresentado nas Festas Natalinas, é formado de cantigas e danças religiosas lembrando o nascimento de Jesus. São 2 espécies de pastoril: religioso e profano. a) O religioso compõe-se de pastorinhas que, com cantos, louvações e loas, representam a visita dos pastores ao Menino Deus. O grupo de 12 moças ou meninas, é dividido em 2 cordões: azul e encarnado. Dispostas em grupos de 6 pastoras à direita e 6 à esquerda do palco, no meio fica a Diana, pastora vestida metade de azul e metade de encarnado. A apresentação é feita em casas, teatros, colégios, praças e palanques. As pastoras cantam acompanhadas por instrumentos de sopro e de percussão. b) O profano é um Pastoril para adultos que tem como figura principal o velho e as pastoras como coral. Tem como característica a irreverência e a comicidade, e, apresenta-se em festas, durante todo o ano. "O pastoril profano perde toda a religiosidade que é substituída por anedotas picantes, contadas pelo velho, e as pastoras, com saias muito curtas, que entoam cançonetas de duplo sentido, apelando sempre para as coisas do sexo." (Dicionário de Folclore para Estudantes)

• Pastorinhas ou pastoras - Grupo de meninas trajadas como pastoras, que vão de casa em casa fazendo a adoração dos presépios. São recebidas pela comunidade com doces e bebidas. As pastoras tocam pandeiros enfeitados de fitas, acompanhadas por um conjunto, e fazem suas loas com cantorias e bailados simples.

• Pastoria - Pastorias do Senhor Menino ou Companhias de Pastores são grupos de homens trajados de pastores, com longos cajados enfeitados com fitas, que percutem no chão enquanto se movimentam. Com cantos dolentes e declamação de loas, encenam a viagem dos pastores de Belém, visitando as casas e os presépios na comunidade. (Fonte: Brazilsite)

• Presépio - Auto alagoano, apresentado em 3 partes, sobre o nascimento de Jesus, origina-se dos antigos autos portugueses. Também chamado de Pastoril Dramático, é composto de cantorias e falações. Corresponde ao Auto das Pastorinhas de outros estados. O auto do Presépio é a representação cênica da lapinha (presépio), que constitui-se de uma arrumação feita com figuras, numa tentativa de mostrar a cena do nascimento de Jesus.

• Presépio - s. m., estábulo; estrebaria; representação do nascimento de Jesus por meio de um conjunto de figuras. Representando o lugar onde Jesus nasceu, o presépio é montado com os seguintes elementos: o Menino Jesus na manjedoura com palha, Maria, José, os três Reis Magos, os animais (vaca, burro, ovelha) e os pastores. O criador desse clássico, que surgiu no sul da Europa em 1224, teria sido São Francisco de Assis. Um presépio com pessoas e animais foi montado nos fundos de uma igreja de uma vila, para encenar o Natal. As imagens dos Reis Magos só apareceram em presépios por volta de 1484.

• Lapa - Lapa significa: gruta, cavidade. Jesus nasceu em uma gruta ou lapa. No Brasil, lapinha significa o presépio feito com folhagens (ou madeira e papéis), palha e algumas figuras. Sobre uma mesa encostada à parede é feito um nicho (espécie de arco de folhagem, aberto na frente), onde se coloca a manjedoura com Jesus. Manjedoura, que foi o berço do Menino Deus, é um tabuleiro fixo onde se coloca a comida dos animais nas estrebarias.

• Lapinha – Denominação popular do Pastoril, no Nordeste, é o nome dado ao Presépio. "A Lapinha distingue-se do Pastoril pela representação de uma série de pequenos autos diante do presépio, sem interferência de cenas alheias aos episódios propriamente natalinos. Apesar da grande popularidade que teve no Brasil, está hoje quase extinta, tendo sido substituída pelo Pastoril, sem a religiosidade de outrora e com a inclusão de danças modernas e cantos estranhos ao auto. (Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira)

• Queima da lapinha - Última parte da representação do Pastoril. No Dia de Reis, o presépio é desmanchado e a folhagem (ou palhas) que foram utilizadas na formação do nicho, são retiradas pelas pastoras e levadas em cortejo para um local previamente escolhido, onde são queimadas. Em torno da fogueira forma-se um círculo de moças e rapazes que, de mãos dadas, entoam uma canção que termina com os versos: "Até para o ano, se nós vivos formos". (Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira)

• Jornada – Cenas, cânticos e bailados dos autos dos presépios e pastoris, em frente à lapinha, representadas pelas pastoras; e de outros folguedos populares.

• Jornada de despedida - Aparece em certos autos tradicionais, como o Bumba-meu-boi e alguns pastoris, com os versos "Adeus, meu menino. Adeus, minha flor" ou "Despedida, meus senhores" etc. Trata-se de uma tradição peninsular para finalizar bailes populares ou serenatas, sendo que nestas a despedida era obrigatória e mesmo ritual. Aparece ainda em versos e quadrinhas populares, iniciados por frases como "Quero dar a despedida", "Eu vou dar a despedida", "Vou-me embora. " etc. (Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira)


• Ano Novo - Na passagem de um ano para outro, no dia 31 de dezembro, Dia de São Silvestre, há uma grande comemoração conhecida como Festa do Ano Novo. Essa festa surgiu no século XVI. Até então, o ano começava em 25 de março, data escolhida pela Igreja Católica como o dia em que o Arcanjo Gabriel anunciou à Virgem Maria que ela estava grávida. A festa do dia 31 de dezembro é de origem cristã e está vinculada ao calendário cristão. É uma festa de confraternização, em que as pessoas desejam umas às outras felicidades e prosperidade. Por influência dos cultos afro-brasileiros a cor mais usada nas vestimentas é o branco. Judeus, muçulmanos e chineses comemoram a virada do ano em outras ocasiões e contam os anos de outras maneiras. No Brasil, o primeiro de janeiro, Dia do Ano Novo, Dia da Paz Mundial (comemoração instituída, em 1967, pelo Papa Paulo VI) e Dia da Confraternização Universal, é feriado nacional.

• Festa de Iemanjá - É realizada na madrugada do primeiro dia do ano, no Sul e no Sudeste, e em Salvador no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora da Candelária (da Luz ou das Candeias). Entregam-se flores e outras oferendas à Iemanjá, principal orixá feminino, mãe de todos os orixás, considerada deusa dos mares e oceanos, rainha das águas e sereia do mar. Iemanjá na religião católica corresponde a Nossa Senhora.

• Janeiras - São as cantigas populares cantadas no dia de Ano Novo. Canções que grupos itinerantes entoavam à porta das casas de amigos, no primeiro dia do ano. "Chegamos em sua morada/ Eu e meus companheiros/ Nós andamos festejando/ O primeiro de janeiro." É uma reminiscência de costume português conhecido e praticado no Brasil até o começo do século XX. Os cantadores louvavam os santos e os donos da casa visitada, recebendo em troca presentes, alimentos e dinheiro. Dessa festa ligada ao ciclo de Natal, restariam expressões como "dar ou pedir as janeiras" e "cantar as janeiras": "Senhora dona da casa/ Uma rosa no jardim/ Venho buscar as festas/ que estão guardadas pra mim."

• Tirar reis- Para realizar a festa do Dia de Reis, grupos de rapazes com roupas enfeitadas saem às ruas pedindo donativos em dinheiro ou outras prendas. "Meu senhor dono da casa/ Faz favor de me escutar/ Eu pergunto pro senhor/ Se tem Reis para nos dar." Acompanhados de instrumentos musicais como violão, cavaquinho e pandeiro, eles cantam e dançam na porta das casas para despertar os moradores e fazer seus pedidos. "Como fizeram os Reis Magos/ Nós queremos imitar/ Com este modesto terno/ Os Reis viemos tirar." Essa ação que ocorre em cidades do interior, é chamada de "tirar reis".

• Terno de Reis - Terno (trio) é um cortejo masculino composto por três cantores acompanhados ou não, por instrumentos musicais. No período entre o Natal e o Dia de Reis, visitam as casas anunciando o nascimento de Jesus. As famílias recebem os cantores com bebidas e quitutes caseiros. Hoje a cantoria restringe-se as cidades do interior.

• Rancho - Grupo que festeja o Natal e o Dia de Reis cantando e dançando.

• Cordão de Reis - Na véspera e no dia de Reis, o Cordão sai com um cortejo composto pelos três reis magos reis e uma rainha para visitar as casas da localidade acompanhado por tocadores de pandeiro, violão, flauta e maracá.

• Dia de Reis (Epifânia) - A Bíblia conta que, poucos dias depois de nascido, o Menino Jesus recebeu a visita de três reis magos, chamados Melquior, Gaspar e Baltazar. Guiados por uma estrela, eles viajaram do Oriente, onde eram sacerdotes, para Jerusalém, a fim de adorarem e presentearem Jesus com ouro, incenso e mirra. O dia 6 de janeiro, na maior parte dos países cristãos, é o Dia dos Reis Magos. Na Espanha, os presentes são distribuídos nesse dia. Em Portugal, no Dia de Reis come-se o bolo-rei. No Brasil, a Festa de Reis ou Folia de Reis, representa os três Reis Magos visitando os devotos, com um ritual especial de visitas e reverências nas casas onde há presépios. No centro-sul do país, os três Reis Magos tornaram-se uma única figura, o Santo Reis. No Dia de Reis, o presépio e a árvore de Natal são desmanchados e, simpatias são feitas, para garantir prosperidade e crescimento profissional o ano inteiro. Em quase todas as simpatias, aparece a romã, fruta vermelha escura, com sementes abundantes que, por isso mesmo, é símbolo da fertilidade.

• Batalha das Cabacinhas - Em alguns municípios de Sergipe a "batalha" faz parte das comemorações do Dia de Reis. É uma brincadeira inspirada nos antigos carnavais, quando as pessoas guerreavam com talco, farinha e ovos. As cabacinhas, feitas de parafina e recheadas com água perfumada, são atiradas nas pessoas.


Marujada:
 

• Marujada - É um auto nordestino encenado no período de Natal que, entre outras dramatizações, relembra as vitórias dos portugueses sobre os mouros na Idade Média e as descobertas de novas terras pelos navegantes. Nas vestimentas predominam as cores azul e branco. Os personagens usam fantasias de marinheiros (almirante, capitão inglês, capitão-de-mar-e-guerra),ou de mouros e cristãos. Com os oponentes dispostos em duas filas, travam-se "lutas" embaladas por versos cantados que narram feitos do passado. O fundo musical é providenciado por instrumentos variados, como cavaquinhos, violões, pandeiros, caixas e sanfonas. De acordo com o tema, os folguedos recebem nomes como Chegança, Fandango, Barca (MG e PB), Barquinha ou Fragata (interior da Bahia) Nau-catarineta e Cristãos e Mouros. (Fonte: Almanaque Abril 2001)

• Fandango - O Fandango nordestino é um auto popular, ao contrário do seu homônimo do Sul (dançado em roda, aos pares, sem representação dramática). O nordestino é inspirado nas grandes aventuras marítimas dos portugueses, na sua febre de descobrimentos. O núcleo central da brincadeira, a xácara da Nau-catarineta, conta a história de uma nau perdida no oceano, pelo tempo de "sete anos e um dia". O grupo é formado por uma tripulação de aproximadamente 40 marujos, entre oficiais e marinheiros. Normalmente é representado numa barca de madeira ou alvenaria, ou palanque. (Fonte: Cabugi.com)

• Nau-catarineta - É uma xácara (narrativa popular em versos), de procedência portuguesa, que conta a estória de um barco que atravessava o Atlântico em circunstâncias trágicas. No Brasil, a Nau-catarineta, convergiu para o auto (gênero teatral) do Fandango nordestino onde aparece como a jornada XVI.

• Chegança - O auto da Chegança se distingue do Fandango pela indumentária dos participantes. Seu núcleo é dramático, um combate naval travado entre cristãos e mouros, inspirado nas lutas pela Restauração da Península Ibérica. O número de marujos é maior que o Fandango e as jornadas, num total de 24, demandam um longo período de seis, sete horas, para serem todas cantadas. O elemento cômico do espetáculo está representado nas pessoas do Ração (cozinheiro) e do Vassoura (faxineiro). O acompanhamento musical restringe-se a instrumentos de percussão, tambor e caixa, enquanto no Fandango predominam os instrumentos de corda, violão, rabeca e banjo. (Fonte: Cabugi.com)

• Alardo - Dança dramática do grupo dos folguedos de cristãos e mouros (Chegança), inspirada nos episódios das epopéias, das conquistas portuguesas do século XV, narradas no poema épico dos Lusiadas. Os cristãos empunham uma bandeira azul e os mouros uma vermelha. As armas utilizadas são: espadas, lanças, alabardas, adagas, sabres e espingardas carregadas com pólvora seca. A dança segue as seguintes etapas: tomada das figuras; reverência dos cristãos aos santos; embaixadas (3 de cada grupo); combates corpo a corpo; procissão da imagem; batismo dos mouros derrotados e compromisso dos festeiros. Existente no ES, a festa, que acontece nos dias 19 e 20 de janeiro (dia de S. Sebastião), também pode ser realizada no ciclo do Natal.

• Retumbão - É a primeira e mais importante dança da Marujada. O nome é devido ao retumbar dos tambores. Homens e mulheres dançam descalços. O Retumbão se confunde com o Lundu, tanto no compasso musical quanto rítmico. A coreografia se inicia com a formação de uma roda; em seguida o homem vai até o centro do salão, fazendo volteios ágeis e convida a dama para dançar, acenando com a mão e batendo forte o pé em direção à escolhida. A dança acontece sempre de dois em dois pares, que, separados, fazem evoluções para direita e para esquerda, estalando os dedos no ar como se portassem castanholas. Os homens usam roupa e chapéu brancos, com um laço de fita vermelha amarrado no braço direito. As mulheres usam saia vermelha, blusa branca bordada e chapéu de palha branco, com uma armação de arame recoberta por flores brancas feitas de penas de pato. Da aba, pendem 12 fitas largas e compridas, de cores diversas.

• Xote - Muito divulgada nas festas da cidade de Bragança (PA), é a última dança da Marujada de Bragança. Manifestação folclórica tipicamente Bragantina, em nada se assemelha ao Auto Marítimo existente em todo o Brasil, com o nome de Chegança, Barca ou Fandango. O Xote é dançado em pares. O ritmo é forte e reflete a alegria dos marujos em dançá-lo. O ritmo também vai ficando mais rápido a medida que vai se aproximando do fim.


Fontes: Dicionário de Folclore para Estudantes; Enciclopédia da Música Brasileira

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