A arte de dobrar papéis
Edição e pesquisa de Lenise Resende
 

A arte de dobrar papéis é, atualmente, conhecida como origami. O papel espelho (opaco ou brilhante), é o mais usado na confecção de dobraduras. Ele é colorido de um lado e branco do outro, tem coloração muito bonita e boa resistência. Pode-se usar, também, papel de presente, liso ou estampado, colorido de um lado e branco de outro. Se o papel escolhido for o laminado, uma de suas faces deve ser de papel branco. Mesmo assim, por ser muito delicado, só deve ser usado, para fazer uma dobradura já testada anteriormente. Para testar dobraduras, qualquer papel serve. Assim, descobre-se que papéis muito grossos quebram ao serem vincados e papéis muito finos rasgam com facilidade. No dia-a-dia, porém, por uma questão de praticidade e economia, usa-se mais o papel A4 ou o Creative Paper, que é do mesmo tamanho e, o pacote, vem com 48 folhas.

Sugestão de uso da dobradura na escola
Conheça bem a dobradura que irá ensinar. Faça testes em casa antes de passá-la à turma.

Dê à criança liberdade de criar. Depois que a dobradura estiver pronta, deixe-a criar o rosto do animal livremente. A dobradura que um adulto vê como de um cachorro, pode ser vista, pela criança, como de um coelho. Se deseja realmente um coelho por ser época de Páscoa, mostre fotos ou desenhos de coelhos diferentes. E deixe a criança criar o "seu" coelho. A experiência criadora dela é, para o seu desenvolvimento, mais importante que o resultado final. Elogie e aprecie o esforço e a criatividade. Não julgue o trabalho pelo padrão dos adultos. Não fique apontando e consertando "erros". Se vai fazer uma exposição, deixe que a criança escolha qual trabalho deseja expor.

Melhor do que pedir que as crianças reproduzam cada dobra feita pela professora é estimular que descubram sozinhas como ela é feita. "É interessante entregar a elas uma dobradura pronta e outra, que podem desdobrar. Assim, desenvolvem o raciocínio espacial", diz Orly Z. M. Assis, professora do departamento de Psicologia Educacional da Unicamp, in revista Nova Escola. Uma dobradura boa para esse exercício é a da flor (tulipa). Entrega-se uma tulipa pronta e um quadradinho de papel.

Tizuko M. Kishimoto, coordenadora do Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos (Labrimp) da USP, respondeu a uma indagação, dizendo: " ... Desde os 2 anos, as crianças podem fazer dobraduras. Antes de apresentá-las a essa arte, porém, sugira atividades que agucem sua criatividade. Os alunos podem, por exemplo, descobrir as características de diferentes papéis (sulfite, cartolina, celofane, papelão). Incentive a turma a manuseá-los, amassando as folhas. Outro exercício interessante é comparar sons produzidos por papéis com diferentes sons do ambiente. Se sacudirem um jornal, as crianças perceberão um barulho parecido com o da chuva. Depois dessa iniciação, peça aos alunos que dobrem uma folha de papel ao meio. Diga que a figura formada se parece com um avião ou um guarda-chuva, mas não iniba os alunos de imaginar outros objetos... O origami é útil, ainda, para ensinar conceitos básicos de geometria. Da primeira à quarta série, você pode montar, junto com a turma, barquinhos, balões, chapéus de soldado, pirâmides, cubos e outros sólidos geométricos.


Origami - Kirigami
Alexandre Hiroshi Kobashigawa
(instrutor de origami e kirigami)
 

a- origem e significado do origami - A palavra origami é de origem japonesa e significa ori=dobrar e gami ou kami=papel, para nós dobradura. Não há registro exato de quando surgiu o origami, mas acredita-se ter sido um costume religioso de épocas antigas, quando as divindades, representadas em papel, decoravam os templos.

No Oriente algumas dobraduras possuem significados simbólicos: a tartaruga representa vida longa; o sapo, a fertilidade e o amor; o grou (tsuru) a felicidade, sorte e saúde. Diz a lenda que quem fizer mil tsurus, com o pensamento voltado para aquilo que deseja alcançar, terá bons resultados.

Todos os anos no Dia da Paz (6 de agosto) são enviados inúmeros tsurus para o Monumento da Paz das Crianças em Hiroshima, com a intenção de que a tragédia atômica jamais venha ocorrer novamente.

b- regras e aplicações -
O origami tem suas regras: folha de papel quadrada, sem cortes. Mas não são regras incontestáveis, pois há várias dobraduras fora deste padrão - um desafio à criação de novos modelos.

Fazer e criar origami é arte tátil que mobiliza a capacidade criadora, mas também um exercício intelectual auxiliar para desenvolver raciocínios lógicos, noções de espacialização visual, ou ainda exercitar a coordenação motora.

c- origem e significado do kirigami -
O Kirigami (kiri=cortar e gami ou kami=papel) é uma arte de origem japonesa que explora o mistério da transformação da segunda dimensão para a terceira dimensão. Essa transformação ocorre em uma matéria prima simples presente em nosso dia-a-dia: o papel.

As criações dos kirigamis podem ter dobras e cortes numa forma plana e, quando abertas revelam uma estrutura tridimencional. Alguns modelos são projetados para serem abertos a ângulos de 180 e 360 graus, mas a maioria das criações é apresentada em ângulo de 90 graus.

Fonte: http://www.eciencia.usp.br/exposicao/origami/apresentacao.htm


 

Kirigami - A técnica de kirigami (kiriê) consiste em, numa simples folha de papel, realizar dobras e cortes em determinados lugares para que, quando aberto, uma forma tridimensional se forme sobre a folha. Vazando determinadas partes do papel com uma lâmina e conservando outras, criam-se figuras ou contornos que podem representar ideogramas, padrões decorativos ou até ilustrações de livros. Esta arte, foi influenciada pelo origami tradicional, onde não são utlizados cola ou tesoura. A técnica pode ser utilizada na confecção de cartões comemorativos, convites, livros infantis, poemas, embalagens e muitas outras coisas. Além do origami e do kirigami, outras técnicas japonesas estão se transformando em moda ocidental. São elas: o wrapping (a arte de embrulhar presentes), washi-ê ou confecção de washi (papel artesanal de fibra de kozu) e oshi-ê (artesanato feito com papel washi, espuma e sobreposição de peças, para dar o efeito de alto relevo das figuras).



 
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